A Economia Mundial depende exclusivamente da Economia Americana. Se esta passa por dificuldades, a Economia Mundial conseqüentemente sofrerá o impacto. Para entendermos o texto torna-se necessário um breve conhecimento da economia americana.

Para se entender a ameaça que pesa sobre a atual ordem global é preciso começar pela economia americana. A economia americana é normalmente espetacular. Os alemães podem ser melhores na mecânica de máquinas industriais; os japoneses são líderes em eletrônica; os finlandeses conseguiram o primeiro lugar em telefones celulares; e mesmo os soviéticos, quando existiam, chegaram primeiro aos grandes foguetes espaciais e às estações tripuladas em órbita terrestre, que exigiam sofisticação técnica e capacidade industrial. Mas a economia americana há mais de meio século vem sendo e continua ser a maior, a mais poderosa. O Produto Interno Bruto americano — a soma de todos os bens e serviços produzidos no país — é de US$ 10,40 trilhões correntes, em termos anuais. Isto é mais do que dez vezes todo o PIB brasileiro. O consumo pessoal americano é de US$ 6,81 trilhões – US$ 341,6 bilhões em automóveis, US$ 331,1 bilhões em roupas e sapatos, US$ 960 bilhões em comida.

Por Monografias AC e Pesquisa Contemporanea

O investimento é gigantesco: o investimento privado foi de US$ 1,39 trilhão — US$ 236 bilhões na construção de prédios não-residenciais, US$ 550 bilhões em computadores, periféricos e software, por exemplo. No PIB americano divulgado agora, US$ 1,75 trilhão em consumo e investimento da União, Estados e condados (o equivalente a nossos Municípios). A defesa nacional, a mais poderosa do mundo, consumiu US$ 375 bilhões, investiu US$ 55,4 bilhões (para comparação, os investimentos totais do governo brasileiro nos orçamentos do governo Fernando Henrique não têm passado de R$ 5 bilhões). Um trilhão e 150 bilhões de dólares são gastos de Estados e condados americanos; desses gastos, US$ 229 bilhões são investimentos.

A economia americana é o motor da economia global. Através de seu comércio exterior puxa as outras economias.

E , finalmente, a economia americana é um exemplo para o desenvolvimento capitalista do mundo: ela se move pelo lucro; suas empresas dão grandes lucros e distribuem enormes dividendos. Quase US$ 1 trilhão — US$ 971,2 bilhões de lucros — no balanço divulgado agora (US$ 206,8 bilhões vindos do exterior, contra US$ 72,5 bilhões de lucros pagos ao exterior); US$ 400,1 bilhões de dólares de lucros distribuídos entre os que têm ações.

A economia americana, além de enorme, está crescendo bastante há um bom tempo. Como toda economia capitalista, ela evolui por ciclos, com altos e baixos — períodos de expansão e períodos de contração, em que a produção diminui em relação ao ano anterior – as recessões.

De 1920 para cá houve 15 recessões. Cada recessão variou de meio ano a 14 meses, salvo a maior de todas, que foi de 28 meses — começou em agosto de 1929 e foi até abril de 1933, inaugurando a Grande Depressão, uma época dramática, período das maiores perturbações no mundo capitalista, que vai do início de 1930 até junho de 1939, três meses antes do início da Segunda Guerra Mundial. Nesses últimos 80 anos, as fases de expansão duraram de 1 ano e meio a 9 anos. A última grande expansão foi no pós-guerra e durou quase 9 anos: começou em fevereiro de 1961 e foi até dezembro de 1969. Quase como a de agora, em que a expansão, que já vem de 1992, têm atualmente mais de 9 anos.

Há 2 anos a escalada da bolsa parou. As pessoas e instituições começaram a vender ações e comprar papéis de outra natureza, mais seguros, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Um investidor compra uma ação por dois motivos:

  • para revendê-la, porque ela está com o preço baixo e ele espera passá-la adiante, logo mais, com lucro;
  • porque quer ficar com ela: a companhia que a emitiu é lucrativa ou promissora e pagará os lucros ou dividendos a que as ações dão direito, agora ou logo mais.

Evidentemente, as duas coisas estão ligadas: quanto mais promissora a companhia, mais lucros dará no futuro e mais o preço de sua ação terá valor. Com a euforia em relação as chamadas empresas de alta tecnologia, especialmente as de internet, essa conexão foi aparentemente esquecida; o preço das ações descolou do lucro presente das companhias, arremessado para um futuro distante – os empreendimentos eram mais promessa que qualquer outra coisa.

Agora, a euforia acabou. O preço das ações começou a cair. O DJIA — que se baseia na cotação de 30 das principais empresas americanas — caiu mais de 10%, neste ano. Outro índice semelhante, o Standard & Poor’s 500 — que toma como base a cotação das 500 maiores — caiu igual. E muito mais, cerca de 50%, caiu o índice Nasdaq, da bolsa mais recente — tem 30 anos — que mede a valorização das empresas de tecnologia e de internet. E a queda é global. O principal índice do Novo Mercado alemão, também de empresas de alta tecnologia, está no seu nível mais baixo desde o seu lançamento em julho de 1999. O valor de mercado de muitas das mais famosas empresas de tecnologia e de internet está derretendo. Desde setembro, a famosa Yahoo perdeu quase 70% do seu valor de bolsa — US$ 40 bilhões ; a Lucent perdeu quase 60%, US$ 85 bilhões; a Oracle, mais de 50%, US$ 140 bilhões; a Dell Computers, cerca de 45%, mais de US$ 50 bilhões. O valor da Intel, o famoso monopólio dos chips de computador, caiu mais de 40%, uma perda de cerca de US$ 220 bilhões no seu valor de mercado. Nos onze meses de 2000, a gigantesca Microsoft — a empresa virtual que na Bolsa de Nova Iorque chegou a valer mais que as maiores empresas reais do mundo, como Ford, GM — teve seu valor de mercado reduzido em mais de 30%, de pouco mais de US$ 600 bilhões, para menos de US$ 400 bilhões.

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